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quinta-feira, 24 de junho de 2010

O cristão...


O cristão é aquele que assume a existência do próprio Cristo, procurando viver sua atitude fundamental, buscando ser alguém para os outros. Desse modo, a experiência da ação salvífica a de Deus em nós é uma experiência da ação do Espírito que nos leva a sair de nós mesmos, a superar nossos limites, a comprometer-nos e entregar-nos aos outros.

MÁRIO DE FRANÇA MIRANDA


 
É aquele que dá a mão ao próximo e vira o rosto para não ser identificado;
 é aquele que antes de olhar para si, vê o próximo;
é aquele que está faminto, mas divide seu único alimento;
é aquele que opta pelo menos favorecido não por dó, mas por naturalidade de índole 
é o que ajuda sem esperança de recompensas
é aquele que vive a fé em Deus e no próximo

NILTON RODRIGUES 

 

terça-feira, 18 de maio de 2010

GRANDE MALANDRAGEM



Como impedir que o “comunismo” tome conta do mundo? Alguns bolaram a fórmula com apenas dois ingredientes. A educação e a grana. Numa frase: eduque as crianças dos pobres e distribua dinheiro aos pais delas.

Para essa corrente, se você pegar as crianças das favelas e enchê-las de cultura capitalista, elas darão gargalhadas ao ler os livros marxistas. Se distribuir dinheiro para custear as necessidades básicas dos pais dessas crianças, já que eles não têm capacidade para desenvolver negócios lucrativos, jamais sairão por aí com camisetas de Che Guevara.

Se as crianças dos pobres forem adotadas pelas elites, diz essa ardilosa filosofia anticomunista, elas não sentirão nenhuma revolta que as possa levar, no futuro, a derrubar o reino do capital. E todos viverão felizes, nadando em dinheiro e bem-educados. Claro, é furada. Outra hora a gente explica por que.

A parte da educação veio em 1959, com Robert Young: “A melhor maneira de derrotar a oposição é apropriar-se das e educar as melhores crianças das classes baixas enquanto ainda são pequenas”.

Mas o que interessa a capitalistas nesta hora de crise financeira é sempre dinheiro, grana, bufunfa... O que nos leva a uma questão contemporânea altamente complexa: o que o premiado economista burguês Milton Friedman e o popularesco Lula têm em comum?

O imposto de renda negativo (ou renda mínima), a origem do Bolsa-Família, foi uma criação muito malandra dos ideólogos capitalistas liberais. A coisa foi bolada pelo casal Mabel e Dennis Milner, em 1919, ao propor um dividendo social igual para todos. Um dia ela seria recomendada por um deles a FHC, o pai político de Lula (haja complexo de Édipo!), e assim surgiu o Bolsa-Escola.

Defendida por um Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, o queridinho de Richard Nixon e madame Thatcher, a renda mínima foi introduzida nos EUA pelo senador Russell Long, através do Crédito Fiscal por Remuneração Recebida (que apelidaremos Bolsa-Grana).

É um imposto de renda negativo para famílias com ganho anual inferior a US$ 26.673, que se tornou lei em 1975 no governo Ford. O Bolsa-Grana foi aumentado por iniciativa dos presidentes Ronald Reagan (1986), George Bush (1990) e Bill Clinton (1993).

Pondo tudo isso num caldeirão e alimentando o fogo com exemplares de O Capital, o astuto James E. Meade apresentou a nova gororoba em sua obra de 1993: Liberty, Equality and Efficiency (Liberdade, Igualdade e Eficiência). Thomas Morus foi decapitado por propor uma sociedade justa, mas Meade será endeusado se sua proposta de criar Agathotopia emplacar.

Agathotopia é um mundo com preços e salários flexíveis. Os empresários espertos e os trabalhadores bobinhos são sócios e há um dividendo mínimo igual para todos. Ou seja, há liberdade, igualdade e os mais eficientes ganham mais sem que os incapazes morram à míngua. É o que Cuba seria se fosse rica e não tivesse um monstruoso inimigo a asfixiando.

Pois bem, foi isso o que o professor Albert Hirschman, um ás capitalista, sugeriu ao ex-presidente FHC, com minha tradução canhestra: “Copie a Bolsa Grana (EITC), a maior realização do presidente Clinton”. FHC assim fez. E Lula, como principal agente do anticomunismo no Brasil, também gostou desse truque de distribuir dinheiro. Migalhinhas ao povo, fortunas aos banqueiros.
Por: Alceu A. Sperança

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Atualidade da doutrina da justificação

Vivemos numa sociedade que cultua a eficácia e a produtividade, na qual o que conta é a capacidade profissional, o lucro o êxito. uma sociedade fria e exigente, em que o ser humano para ser alguém, para alcançar sua identidade deve se submeter a uma rigorosa disciplina que o escraviza e desumaniza. No fundo, somos escravos da produção, do trabalho, do sucesso, da competição. Para podermos justificar-nos em nossa existência só nos resta produzir. 
Mário de França Miranda in:
A salvação de Jesus Cristo, p. 123

sábado, 13 de março de 2010

Campanha contra redução da maioridade penal: entidades resgatam pensamento do sociólogo Betinho

Com intensa mobilização contra a redução da maioridade penal no Brasil, diversas entidades que compõem o Fórum de Entidades da Psicologia Brasileira, o FENPB, lançam neste mês a campanha “Entidades da Psicologia em campanha contra a redução da maioridade penal!”. Resgatando o pensamento do sociólogo falecido em 1997, Herbert de Souza, o Betinho, do Instituto Ibase – “Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes; e o que vejo é o que sobrou de tudo o que lhe foi tirado” – as entidades deflagraram a campanha contra a redução da maioridade penal.

Assinam a campanha contra a redução da maioridade de penal as seguintes entidades da Psicologia brasileira:
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia – ABEP
Associação Brasileira de Orientação Profissional – ABOP
Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental – ABPMC
Associação Brasileira de Psicologia Política – ABPP
Associação Brasileira de Neuropsicologia – ABRANEP
Associação Brasileira de Psicoterapia – ABRAP
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional – ABRAPEE
Associação Brasileira de Psicologia do Esporte – ABRAPESP
Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO
Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia – ANPEPP
Conselho Federal de Psicologia – CFP
Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia – CONEP
Federação Nacional dos Psicólogos – FENAPSI
Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica – IBAP
Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento – SBPD
Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar – SBPH
Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho – SBPOT
Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura – SOBRAPA

Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:

1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;
2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;
3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;
4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;
5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;
6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;
7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;
8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;
9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;
10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.
fonte: http://www.pol.org.br   (20.07.2007)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Your children, Sus hijos, Teus filhos (Kahlil Gibran)

Your children are not your children.
They are the sons and daughters of Life’s longing for itself.
They come through you but not from you,
And though they are with you yet they belong not to you.
You may give them your love but not your thoughts,
For they have their own thoughts.
You may house their bodies but not their souls,
For their souls dwell in the house of tomorrow,
which you cannot visit, not even in your dreams.
You may strive to be like them,
but seek not to make them like you.
For life goes not backward nor tarries with yesterday.
You are the bows from which your children
as living arrows are sent forth.
The archer sees the mark upon the path of the infinite,
and He bends you with His might
that His arrows may go swift and far.
Let your bending in the archer’s hand be for gladness;
For even as He loves the arrow that flies,
so He loves also the bow that is stable.


Sus hijos
Sus hijos no son suyos.
Son los hijos del anhelo de la Vida de sí misma.
Vienen por Uds. pero no de Uds.,
Y aunque están con Uds., Uds. no los poseen a ellos.
Pueden darles su amor pero no sus pensamientos.
Porque ellos tienen sus propios pensamientos.
Uds. pueden alojar sus cuerpos pero no sus almas.
Porque sus almas viven en la casa del día que viene, la cual Uds. no pueden visitar, ni siquiera en los sueños.
Uds. pueden esforzarse por ser como ellos, pero no se esfuercen para que ellos sean como Uds.
Porque la vida no va atrás ni se demora con el ayer.
Uds. son los arcos de los cuales sus hijos como flechas vivas son enviados.
El arquero ve el blanco en el paso del infinito, y Él los dobla a Uds. con Su fuerza para que Sus flechas vayan rápidamente y lejos.
Que su torción en la mano del arquero sea por alegría;
Porque mientras Él ama a la flecha que vuela, también ama el arco que es estable.

Os filhos
Teus filhos não são teus filhos
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de ti, mas não de ti.
E embora vivam contigo, não te pertencem.
Podes dar teu amor, mas não teus pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que não podes visitar nem mesmo em sonho
Podes tentar ser como eles, mas não tente fazê-los como és,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Tu és o arco do qual teus filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem rápido e para longe
Que teu encurvamento na mão do Arqueiro seja tua alegria;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.

http://paulocoelhoblog.com/2010/02/21/a-long-way-to-go/

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Acerca do trabalho

Sempre percebi que as pessoas que mais falam a respeito do prazer do trabalho são as que menos se esforçam, enquanto os que labutam de sol a sol não expressam o mesmo sentimento . Na verdade existe muito falatório hipócrita a respeito do trabalho. Três quartas partes, e até mais, de tudo isso não passa de trabalho fatigante, e quem realmente trabalha duramente, entende as aspirações do poeta esperando o fim do dia: "Cabeça, mãos e pés, alegrem-se; o trabalho acabou." Não! Não é trabalhando que vivemos, mas a medida, mas à medida que nos alegramos no amor dos outros e do nosso por eles.


Adolf von Harnack