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terça-feira, 18 de maio de 2010

GRANDE MALANDRAGEM



Como impedir que o “comunismo” tome conta do mundo? Alguns bolaram a fórmula com apenas dois ingredientes. A educação e a grana. Numa frase: eduque as crianças dos pobres e distribua dinheiro aos pais delas.

Para essa corrente, se você pegar as crianças das favelas e enchê-las de cultura capitalista, elas darão gargalhadas ao ler os livros marxistas. Se distribuir dinheiro para custear as necessidades básicas dos pais dessas crianças, já que eles não têm capacidade para desenvolver negócios lucrativos, jamais sairão por aí com camisetas de Che Guevara.

Se as crianças dos pobres forem adotadas pelas elites, diz essa ardilosa filosofia anticomunista, elas não sentirão nenhuma revolta que as possa levar, no futuro, a derrubar o reino do capital. E todos viverão felizes, nadando em dinheiro e bem-educados. Claro, é furada. Outra hora a gente explica por que.

A parte da educação veio em 1959, com Robert Young: “A melhor maneira de derrotar a oposição é apropriar-se das e educar as melhores crianças das classes baixas enquanto ainda são pequenas”.

Mas o que interessa a capitalistas nesta hora de crise financeira é sempre dinheiro, grana, bufunfa... O que nos leva a uma questão contemporânea altamente complexa: o que o premiado economista burguês Milton Friedman e o popularesco Lula têm em comum?

O imposto de renda negativo (ou renda mínima), a origem do Bolsa-Família, foi uma criação muito malandra dos ideólogos capitalistas liberais. A coisa foi bolada pelo casal Mabel e Dennis Milner, em 1919, ao propor um dividendo social igual para todos. Um dia ela seria recomendada por um deles a FHC, o pai político de Lula (haja complexo de Édipo!), e assim surgiu o Bolsa-Escola.

Defendida por um Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, o queridinho de Richard Nixon e madame Thatcher, a renda mínima foi introduzida nos EUA pelo senador Russell Long, através do Crédito Fiscal por Remuneração Recebida (que apelidaremos Bolsa-Grana).

É um imposto de renda negativo para famílias com ganho anual inferior a US$ 26.673, que se tornou lei em 1975 no governo Ford. O Bolsa-Grana foi aumentado por iniciativa dos presidentes Ronald Reagan (1986), George Bush (1990) e Bill Clinton (1993).

Pondo tudo isso num caldeirão e alimentando o fogo com exemplares de O Capital, o astuto James E. Meade apresentou a nova gororoba em sua obra de 1993: Liberty, Equality and Efficiency (Liberdade, Igualdade e Eficiência). Thomas Morus foi decapitado por propor uma sociedade justa, mas Meade será endeusado se sua proposta de criar Agathotopia emplacar.

Agathotopia é um mundo com preços e salários flexíveis. Os empresários espertos e os trabalhadores bobinhos são sócios e há um dividendo mínimo igual para todos. Ou seja, há liberdade, igualdade e os mais eficientes ganham mais sem que os incapazes morram à míngua. É o que Cuba seria se fosse rica e não tivesse um monstruoso inimigo a asfixiando.

Pois bem, foi isso o que o professor Albert Hirschman, um ás capitalista, sugeriu ao ex-presidente FHC, com minha tradução canhestra: “Copie a Bolsa Grana (EITC), a maior realização do presidente Clinton”. FHC assim fez. E Lula, como principal agente do anticomunismo no Brasil, também gostou desse truque de distribuir dinheiro. Migalhinhas ao povo, fortunas aos banqueiros.
Por: Alceu A. Sperança